Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Águia de Ouro na Barra Funda

Na década de setenta surgia lá na Vila Anglo Brasileira, um batuque diferente. Entre uma partida e outra, os integrantes do time de futebol amador Faísca de Ouro, recebia a visita de sambistas ex-integrantes da Pérola Negra.

Fazendo um samba de qualidade comandados por Gilson Carriuolo Antonio e contando com o experiente Maíco, crescia a cada dia a roda de samba.

Decidiram então fundar em, 09 de maio de 1976, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Águia de Ouro na Barra funda. A partir daí, começaram a se organizar, visando levar sua Escola para a Avenida no ano seguinte.

Com as dificuldades normais de uma pequena Escola de Samba, fizeram sua estréia no ano de 1977 no Grupo IV. Conseguem nesta ocasião seu primeiro vice - campeonato, conquistando o direito de desfilar no Grupo III.

É preciso manter a Águia em seu vôo e para isso é convidado para trabalhar pela Escola o Mestre Lagrila, cuja visão de Carnaval é totalmente diferente do que vinha sendo feito. Lagrila balança todos os alicerces e mostra que a Águia de Ouro tem tudo para se tornar uma das mais importantes Escolas de Samba do Carnaval Paulista.

O modo como Lagrila conduziu seu trabalho, insatisfez os componentes da Escola, que começava a ficar muito diferente das demais. Mais uma vez é necessário adaptar-se às mudanças.

Surgem novos rumos, com Mário Vieira assumindo a Presidência. Muda radicalmente a filosofia de trabalho da Escola, trazendo nova instabilidade à comunidade.

A sensação de instabilidade pelas constantes mudanças de Presidência, incomodava a todos os integrantes do Águia de Ouro. Preparando seu Carnaval para 1981, assume a Presidência José Miguel, o Dengo.

Com tanta falta de motivação, a Escola perde grande parte de seus integrantes, não conseguindo colocar na Avenida o número mínimo obrigatório. Perdendo dez pontos por este motivo e Dengo deixa a Presidência.

Os que realmente amavam a Escola continuavam presentes, mas fazia-se necessário que um novo Presidente assumisse o mais rápido possível. Por mais que todos sofressem com a situação, ninguem se candidatava ao cargo.

Pararam os ensaios por muitos meses e já, quase no final do ano de 1981 não se tinha enrêdo, nem samba, nem diretoria para o Carnaval que se aproximava. Um grupo de pessoas inconformadas deu início a um movimento para que a Escola não se acabasse e marcaram uma reunião no bar do Walter, um dos integrantes do movimento.

Sem nem mesmo consultá-lo, elegem Sidnei Cariuolo Antonio, irmão de Gilson, o novo Presidente do Águia de Ouro. Sem experiência e cheio de temores, mas com muito amor ao Águia, Sidnei aceita o cargo pois sabia que contaria com o apoio de todos.

Melhor escolha não poderia ter sido feita. Baseado em disciplina e com sonho de gigantismo, Sidnei começa seu trabalho com firmeza e os pés no chão. Algumas pessoas tentam mudar o resultado do concurso, mas como primeiro impacto desta administração, Sidnei fez prevalecer o samba vencedor, o que causou certo mal estar na Escola.

Faltando somente dois meses para o Carnaval a Escola se preparou e foi para a Avenida em 1982 com um samba nota dez, conseguindo um quinto lugar. A paixão pela Escola reacendeu. Sidnei encarou o desafio e foi em busca de uma sede para o Águia de Ouro, conseguindo uma casa no coração da Vila Anglo Brasileira.

Em ritmo de empolgação a Escola conseguiu um vice-campeonato com sabor de vitória, indo para o Grupo I. Faltando poucos meses para o próximo Carnaval, a sede da Escola que abrigava as alegorias, pegou fogo. Por conta deste triste episódio, parte do trabalho não ficou pronto a tempo.

Em clima de tumulto, a Escola leva para a Avenida no Carnaval para a Avenida no Carnaval de 1984. A Escola desfilou lindamente sob os comentários elogiosos da imprensa. No entanto a opinião dos jurados não foi a mesma e a Escola conseguiu um décimo lugar, sendo rebaixada.

De volta ao Grupo II. Com sua sede destruída e financeiramente comprometida, a Escola sentiu seu orgulho estremecido. Com o rebaixamento, as pessoas deixaram de comparecer aos ensaios, outro desafio a ser transposto por Sidnei e sua Diretoria. Mais uma vez, só ficam os que realmente tinham grande amor pelo Águia de Ouro.

Assim, com a Escola pequenininha, viu-se na Avenida no ano de 1985, uma Águia de Ouro combatente. Diante da sufocante situação, a Águia fez um de seus mais reais Carnavais. O grupo que desfilou com tanta garra, conquistou terceiro lugar. E os que tinham abandonado a Escola começaram a voltar aos ensaios.

No ano de 1986, Royce compõe o samba e a Escola voltou para o grupo I. Passado o Carnaval, a Águia de Ouro foi convidada para mostrar seu samba no Japão. Durante dois meses, o Águia foi um pouco do Brasil em terras orientais, apresentando um pouco do mais puro Carnaval.

De volta ao Brasil, a Escola começou a se preparar para o Carnaval de 1987. Ainda com lembranças amargas de rebaixamentos anteriores, uniu-se a mais tres Escolas e desligou-se da UESP, acreditando estar sendo prejudicada por esta entidade.

Para o Carnaval de 1988, a Escola foi favorecida por não ter havido rebaixamento no ano anterior e também porque não foi a primeira a desfilar . Neste ano, entre tantos acontecimentos conflitantes, vem neste ano uma boa notícia.

A área de 4.873m² sob o Viaduto da Pompéia, tão cobiçada desde 1983, havia sido liberada pela prefeitura para que a Escola se instalasse. Muito esforço foi empregado para deixar o lugar em condições de uso. Fechar o espaço, instalar iluminação, água, banheiros e palco, foram as primeiras providências.

A partir daquele momento, a Águia de Ouro possuía a sua quadra, o que mudou todo o trabalho a estrutura da Escola. Pode-se então, abrir as portas para aquilo pelo que sempre se lutou: a realização do sonho que nasceu de uma brincadeira, na beirada de campo de um time de futebol.

Chega o Carnaval de 1989 e a Escola prepara-se para desfilar no Grupo II. Neste ano, Foguinho, vindo do Carnaval do Rio de Janeiro, trouxe sua grande experiência adquirida na quadra da Beija Flor de Nilópolis. Nesta época, a torcida da Mancha Verde começou freqüentar a Quadra e em número bastante expressivo ameaçou tomar conta da situação.

Há muita instabilidade, mas a comunidade reagiu, voltando a freqüentar a quadra, defendendo o que era seu. Chega o ano de 1993, Royce do Cavaco volta para puxar o samba da Escola, logo após o Carnaval, Royce se desligou novamente da Escola.

Permanecendo no Grupo II, as esperanças mantiveram-se acesas. A quadra, que ainda apresentava uma aparência bastante rústica, pedia por reestruturação. Firmes em seu propósito, os dirigentes da Escola continuaram transformando, aos poucos, sonho em realidade.

Com o bom e velho estilo do Presidente Sidnei de manter os pés no chão, a mentalidade era de que a Escola ainda não estava preparada para entrar no Grupo Especial. Fez-se um trabalho tranqüilo na quadra para que o Carnaval de 1996 fosse satisfatório. Mas, as leis do destino fugiram das mãos de Sidnei e como resultado de um desfile impecável, a Águia de Ouro sagrou-se campeã, indo para o Grupo Especial.

Foi a recompensa por um trabalho transparente e coerente. Na intenção de obter mais experiência, foram convidados carnavalescos do Rio de Janeiro para incrementar a Escola. No entanto, os carnavalescos desenvolviam seu trabalho por setores e não num todo, o que acarretou atrasos na finalização da alegorias para o Carnaval de 1997.

A experiência com os carnavalescos cariocas, apesar de infeliz, mostrou definitivamente para o Presidente Sidnei quais A Escola voltou para o Grupo I, tendo aprendido uma grande lição.

A Escola queria ter a certeza do que era capaz de realizar sem forçar a natureza. O ritmo dos ensaios era frenético e a animação era geral. Nem mesmo as duas enchentes que a Escola enfrentou, diminuíram a determinação de superar todos os obstáculos que por ventura aparecessem.

E foi assim, mirando o alvo, que a Águia de Ouro foi para o Carnaval de 1998. Neste ano, foi Raul Diniz quem colocou todas as idéias sobre o Enredo no papel mas não acompanhou a confecção do Carnaval, indo vê-lo pronto, na Avenida. Com certeza gostou do que viu, pois a Escola sagrou-se campeã voltando para o Grupo especial.

Em 1999, a Escola muda sua Razão Social passando a chamar-se Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Águia de Ouro. Com a comunidade atuante, como já era sabido, neste ano não haveria rebaixamento, o que propiciou um desfile equilibrado.

No Carnaval do ano 2000, estava certo que a Escola levaria para a Avenida a imagem da Pietá, que tradicionalmente traz o Cristo morto em seus braços, amparando um índio em substituição ao Cristo, num protesto ao genocídio indígena.

A Igreja católica se enfureceu e tentou de todas as formas impedir que a alegoria fosse para o desfile. Após vários conflitos, a Escola substituiu a imagem da Santa pela de uma índia. O assunto polêmico alcançou repercussão mundial, chegando a ser citado no New York Times. A Escola, sem barracão, passou por grandes dificuldades. Como resultado alcançou um sétimo lugar.

Quadra cheia, comunidade fiel, coesão de idéias, organização. Desta vez, a Águia voava rumo ao Novo Milênio. Carnaval 2001. O problema do barracão foi resolvido com o terreno cedido pela prefeitura na Marginal Tietê.

O espaço foi perfeito para os enormes carros que a Escola preparava para levar ao Polo Cultural do Anhembi. Vinte e quatro horas antes de entrar na Avenida a águia imensa do carro Abre-Alas, foi atingida por uma fagulha de solda e se consumiu em chamas.

Como num verdadeiro desafio, a águia foi refeita em poucas horas, mostrando o amor e a perícia aqueles que trabalhavam no barracão. E como o esperado, a Águia deu um show. Alcançou um quarto lugar.

No desfile de 2002 o Águia de Ouro buscou estabilizar-se entre as Escolas do Grupo Especial, e com as mudanças nos critérios de desempate classificou-se em 7º lugar, ficando apenas a 2 pontos da atual campeã.

Já em 2003 a Águia de Ouro vem com o enredo falando sobre a cultura e mistérios da China, mais uma vez Mestre Juca inova e ajoelha a bateria na avenida com ela aberta para passagem de mestre-sala e porta-bandeira e novamente depois abre para a passagem de uma ala inteiro no meio da bateria.

O resultado foi considerado injusto por muitos da escola e até mesmo por quem não era da escola - a escola ficou em 12º lugar. Em 2004 a Águia trouxe Ana Maria Braga para contar os 450 anos da culinária paulistana, enredo esse criado para homenagear os 450 anos da cidade de São Paulo.

Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Águia de Ouro na Barra Funda
Avenida Presidente Castelo Branco, 7683 - Barra Funda - São Paulo - SP
CEP: 05034-000
(11) 3872-8262




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